Biologia da Espécie

A cultura intensiva de trutas dirige-se a um número muito restrito de espécies. As características principais que estes animais devem apresentar são:

crescimento rápido em cativeiro

capacidade de se reproduzir em cativeiro

boa aceitação do alimento artificial

capacidade de suportar altas densidades de cultivo.

O estudo da biologia da espécie é de grande importância, já que só se pode manter em cativeiro durante todo o ciclo espécies sedentárias. Uma possível utilização das espécies migradoras é a sua criação para repovoamento de rios ou engorda em cativeiro em instalações próprias de água salgada.

As trutas, como os salmões, são peixes pertencentes à vasta família dos salmonídeos. São na sua maioria peixes de água doce à excepção dos migradores (como a truta e o salmão), cuja desova e primeiras fases de desenvolvimento são feitas nos rios, ocorrendo o crescimento na água salgada.

Os salmonídeos requerem águas correntes límpidas, frias e bem arejadas, de rios, ribeiros ou lagos, sendo as águas onde vivem.

Desovam uma vez por ano, na estação de temperaturas mais baixas. Após o reconhecimento macho-fêmea estas escavam um ninho em zonas de fundo arenoso e pouca corrente (normalmente margens do rio). Os ovos são depositados nestas concavidades e após a fecundidade pelo macho são cobertos com areia onde ficam até à eclosão.


Ciclo de vida da Truta.

As duas espécies de trutas mais importantes em Portugal são descritas seguidamente:

Salmo Trutta fario

truta salmonada, truta sapeira, truta pinta.

Características: Coloração variada, dependendo da estação do ano, idade, águas e fundos, geralmente verde-escuro no dorso e prateada no ventre e flancos, ponteada com pequenas manchas pretas e cor-de-laranja. Possui tamanhos máximos variáveis dependendo do habitat; assim em pequeos rios ou ribeiros pode atingir 20 a 22cm com peso máximo de 200gr, em rios de planície 70cm com pesos de 4 a 5Kg, enquanto que nos lagos se verificam máximos de 1m com peso superior a 10Kg. Prefere águas bem oxigenadas onde a temperatura não ultrapassa os 20 ºC. Desova entre Setembro e Outubro em zonas de fundos pedregosos nas partes altas dos rios.

A eclosão dá-se ao fim de 150 dias aproximadamente, vivendo cerca de um ano no localantes de descer para um lago ou para a foz do rio, como é o caso da truta marinha migratória. A maturidade sexual é atingida ao fim de 3 a 5 anos. Alimenta-se de insectos, vermes, crustáceos, moluscos e pequenos peixes, estando a cor da carne relacionada com o tipo de alimentação.

É produzida sobretudo para repovoamento de rios sendo a espécie mais importante em pesca desportiva na Europa. Em cativeiro apresenta taxa de crescimento comparada com a truta arco-íris.

Oncorhynchus mykiss (salmo gairdneri)

truta arco-íris, truta francesa

Características: semelhantes às da truta vulgar, distinguindo-se pela sua coloração verde-azeitona com reflexos irisados no dorso e com pequenas manchas pretas em todo o corpo incluindo as barbatanas. Nos flancos apresenta uma lista rosada desde a cabeça à cauda. Desova uma vez por ano entre Outubro e Março em zonas de água corrente, verificando-se a eclosão dos ovos.

Na cultura intensiva pode ser feita a indução da desova até três vezes por ano, sendo uma espécie mais usada em cultura intensiva existindo em Portugal em varias explorações.